Mudança para o exterior: triplica em 4 anos as mudanças para o exterior na região de Sorocaba

Mudança para o exterior triplica em 4 anos na região de Sorocaba

Mudança para o exterior: triplica em 4 anos as mudanças para o exterior na região de Sorocaba

De acordo com Gilda Pereira, sócia-fundadora da Ei! Assessoria Migratória, sediada em Portugal, o brasileiro costuma buscar pelas seguintes modalidades de visto:

O número de moradores da região de Sorocaba que passaram a viver fora do País triplicou nos últimos quatro anos. De acordo com informações da Receita Federal, enquanto 47 pessoas apresentaram ao órgão, em 2013, a Declaração Definitiva de Saída do País, no ano passado esse número chegou a 207. E este ano, o balanço aponta que a alta permanece. Até 11 de setembro, 165 moradores da região de 52 municípios sob jurisdição da Delegacia de Sorocaba, entregaram à Receita a declaração oficial de que estariam deixando o Brasil numa mudança para o exterior. 

Entre 2013 e 2014, o volume de declarações entregues aumentou de 47 para 77 (63,8%). No ano seguinte, o número subiu para 120 (55,8%). Já de 2015 para 2016 foi registrada a maior alta, de 120 para 207 declarações (72,5%). O aviso, à Receita, de que se está de mudança para outro país é necessário em razão dos tributos aplicados às pessoas físicas do Brasil. Todos que se encaixam nessa situação — saída do território nacional em caráter permanente — precisam entregar a Comunicação de Saída Definitiva do País num período que varia da data efetiva da saída, até último dia de fevereiro do ano-calendário subsequente. Na sequência, a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano-calendário da saída, deve ser entregue ao órgão até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subsequente ao da saída definitiva. O contribuinte também é obrigado a recolher, em cota única, o valor do imposto apurado e demais créditos tributários não quitados, calculados com base na declaração. 

De acordo com informações do Delegado da Receita Federal em Sorocaba, Francisco José Branco Pessoa, a apresentação da comunicação não dispensa a declaração. Quem não realiza a devida quitação dos documentos com a Receita continua sendo considerado, pelo órgão, como se ainda residisse no Brasil, durante os primeiros 12 meses consecutivos à saída do País, e só passa a ser tratado como não residente a partir do 13º mês consecutivo de ausência. 

Além da comunicação formal de residência, para fins de cadastro, atualizar os dados na receita é importante porque pessoas que se mudam para o exterior, mas mantém o recebimento de rendimentos no Brasil, estão sujeitas à regras específicas de tributação — que podem apresentar alíquotas, isenções e reduções diferentes daquelas aplicáveis aos residentes no país — e que passam a ser exclusivas na fonte ou definitivas. 

Desemprego obrigou sorocabanos a buscarem oportunidades fora 

Os motivos que levam cada vez mais sorocabanos a se mudarem para o exterior são muitos mas, na grande maioria dos casos, estão ligados a questões de sobrevivência, como o desemprego ou o medo dele, e a busca de melhores oportunidades e condições de vida. 

Natural de Mairinque e ex-moradora de Sorocaba, Daniele Pires, 27 anos, vive em Wooster, nos Estados Unidos. Se mudou em busca de segurança profissional. Recém-formada em engenharia mecânica e contratada por uma empresa, ainda assim ela se sentiu ameaçada pelo aumento das demissões em sua área de atuação. “Eu ficava com muito medo de ser demitida, via que o mercado de trabalho não estava contratando e as contratações estavam sendo feitas por um salário muito baixo. Como eu não tinha tempo de experiência, ficar desempregada naquele momento não seria bom”, lembra. 

Daniele relata que sempre pensou em morar fora do Brasil, mas quando a oportunidade, na mesma empresa, surgiu, não havia nenhuma iniciativa pessoal em busca dessa realização — inclusive por conta da falta de recursos financeiros. “Pensei: essa é a única chance que eu tenho de ir fazer algo de bom para minha carreira.” O balanço, um ano e meio depois, é de que está valendo a pena conhecer uma outra cultura e viver novas experiências. Ela passou a se ver independente financeiramente, o que não acontecia no Brasil. 

O que pesa é a distância familiar, mas Daniele acredita que o esforço, nesse momento, vale a pena para ter um futuro um pouco mais tranquilo. As saudades são da comida brasileira e da famosa coxinha de Sorocaba. “Você pode ir para vários lugares dos Estados Unidos, vai achar comida boa, mas nunca como a de Sorocaba.” 

O engenheiro Heber Souza, de 35 anos, trocou Sorocaba pelo Qatar, no oriente médio, em maio deste ano. Sua motivação também foi profissional. Depois de oito meses desempregado, ele encontrou do outro lado do mundo uma oportunidade. “Já tinha feito várias entrevistas de emprego, mas nada tinha dado resultado”, conta. Ele diz que sempre gostou da ideia de vivenciar uma nova cultura, mas nunca tão diferente como lá. 

Heber comentou que no Qatar o custo de vida é muito alto e mesmo ganhando melhor do que aqui, é preciso analisar se compensa continuar ou ficar aberto para novas oportunidades no Brasil. Para ele, a saudade da família e amigos pesa bastante. “O melhor lugar do mundo é onde estão as pessoas que queremos ficar junto.” 

De malas prontas 

O casal Fabrício e Bianca Endo está de malas prontas para encarar a mudança para o Japão, em voo já marcado para a próxima semana. Fisioterapeutas, viram a crise diminuir drasticamente o número de clientes que frequentavam uma clínica da qual eram proprietários, que oferecia aulas de pilates e tratamentos estéticos. Com a diminuição da receita e crescente aumento das despesas, não restou alternativa a não ser repensar as possibilidades de trabalho. Como já tinham a experiência em viver do outro lado do mundo — já que moraram no Japão no passado, quando eram recém-casados — viram na oportunidade de voltar para lá, ainda que em condições profissionais bem diferentes, uma forma de lutar por melhores condições de vida. 

O desejo se tornou ainda maior porque dessa vez eles não irão sozinhos, mas acompanhados da filha Lavínia, de um ano de idade. Ela, inclusive, é um dos pontos motivadores do casal. “Avaliamos a qualidade de vida que teremos lá e poderemos proporcionar à nossa filha, a educação, a segurança e a estabilidade que não temos aqui”, diz Bianca. Eles viajam dessa vez — ao contrário da primeira e da maioria dos descendentes que elegem a mudança para o Japão como alternativa de vida — sem a famosa ânsia por juntar dinheiro e sem data para voltar. “Queremos morar lá por um bom tempo para que a Lavínia possa estudar e ter uma boa educação.” (Regina Helena Santos) – Visto para estudos que se destina àqueles que desejam morar no país para cursos de graduação, mestrado e doutorado.

– Visto de trabalho, para exercício de atividade de investigação ou que seja altamente qualificada

– Autorização de residência para atividade de investimentos em Portugal, que é chamado de Visto Gold

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/820450/mudanca-para-o-exterior-triplica-em-4-anos

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